Quatro décadas após a histórica 8ª Conferência Nacional de Saúde, o debate sobre os rumos da saúde pública brasileira segue mobilizando pesquisadores(as), trabalhadores(as), militantes e instituições comprometidas com a democracia e com o fortalecimento do SUS.
O ciclo de debates “Da Reforma Sanitária ao Futuro do SUS: 40 anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde” reuniu diferentes gerações do campo da Saúde Coletiva na Faculdade de Saúde Pública da USP para refletir sobre os impactos políticos, sociais e institucionais da conferência que marcou a consolidação da participação popular na formulação das políticas públicas de saúde no Brasil.
O presidente da Asfoc-SN e conselheiro nacional de saúde, Paulo Garrido, participou da atividade e destacou a relevância histórica da Reforma Sanitária como horizonte político e ético para o presente e o futuro do país.
Durante sua fala, Garrido ressaltou a importância de reafirmar os princípios que deram origem ao SUS em um cenário ainda marcado por disputas políticas e sociais profundas.
Paulinho também destacou o reconhecimento internacional do sistema público brasileiro e da participação social construída ao longo dessas décadas. Segundo ele, o SUS, o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Saúde têm sido referências globais, especialmente após a aprovação da resolução de participação social na Assembleia Mundial da Saúde.
Ao abordar o contexto político recente, Paulo Garrido defendeu a necessidade de preservar a memória sobre os impactos dos últimos anos nas políticas públicas e nos direitos sociais.
“Nós não podemos esquecer a destruição que foi o período anterior. Não podemos esquecer e nem minimizar isso. Era uma destruição”, declarou.
Ele também citou iniciativas recentes de reconstrução institucional, como a retomada da Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS e os espaços de diálogo entre trabalhadores, gestores e movimentos sociais em diferentes estados do país.
Para Garrido, o atual cenário exige organização política, mobilização social e disputa permanente de narrativas diante do avanço da extrema direita e da disseminação de desinformação.
“A nossa população precisa compreender as diferenças entre os projetos políticos em disputa. A gente sabe como funciona a comunicação da ultradireita e das fake news. Por isso, precisamos ter um engajamento incondicional”, afirmou.
Paulinho falou sobre a luta de classes e do movimento dos trabalhadores e trabalhadoras no engajamento pela defesa dos direitos do funcionalismo público e citou como algo que “não é tão simples”, mas sim um trabalho feito por várias mãos.
O presidente da Asfoc-SN também reforçou o posicionamento político assumido pela Executiva Nacional do sindicato em defesa de um projeto democrático e popular para o Brasil.
“A Asfoc está completamente comprometida e engajada nessa luta, porque ela é essencial e histórica.”
O ciclo de debates reafirmou a atualidade da Reforma Sanitária e da participação popular como instrumentos fundamentais para enfrentar desigualdades, ampliar direitos e fortalecer o SUS como patrimônio da sociedade brasileira.
Assista à fala de Paulinho: