A Asfoc-SN participou, nesta terça-feira (9), da solenidade de outorga do título de Pesquisadora Emérita da Fiocruz à Nísia Trindade Lima, realizada no auditório de Bio-Manguinhos. O presidente da Asfoc-SN, Paulo Garrido, que também representou o Conselho Nacional de Saúde, compôs a mesa que celebrou a trajetória da primeira mulher a presidir a Fundação e a assumir o Ministério da Saúde.
Durante o evento, Garrido apresentou a nova edição da revista “Dialogue”, recém-lançada pelo sindicato, cuja capa homenageia Nísia. Ele destacou que a publicação traz reflexões essenciais sobre democracia, ciência e o papel das mulheres na formulação de políticas públicas, temas que marcam profundamente a trajetória da homenageada.
Em sua fala, Paulo Garrido ressaltou que o dia representa “um reconhecimento histórico”, destacando que a Fiocruz, a Asfoc-SN e diversos atores da sociedade se unem para celebrar uma liderança que marcou a ciência, a saúde pública e o serviço público brasileiro. Ele lembrou que a afinidade entre o trabalho de Nísia e os valores da Asfoc-SN, como a defesa do SUS, da ciência, da democracia e dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores, nunca foi casual, mas construída com coerência, diálogo e coragem.
Garrido recordou que, ao assumir o Ministério da Saúde em um país devastado pelo negacionismo e pela gestão da pandemia, Nísia liderou um processo de reconstrução ao reorganizar o Ministério, retomar o diálogo federativo, garantir recomposição orçamentária, e reativar políticas essenciais, ao mesmo tempo em que enfrentou crises graves como a emergência Yanomami.
Para as trabalhadoras e trabalhadores da Fiocruz e do serviço público, Garrido destacou um marco decisivo: a reabertura da Mesa Nacional de Negociação, após mais de uma década de congelamento salarial e perda de direitos. Segundo ele, o processo conduzido pelo governo federal e pelo Ministério da Saúde sob a liderança de Nísia devolveu legitimidade às entidades sindicais e restabeleceu o diálogo democrático como política de Estado.
O presidente da Asfoc-SN também reforçou que a trajetória de Nísia é símbolo de resistência em um país marcado pelo machismo estrutural. Enfrentando ataques políticos, misóginos e deslegitimadores, ela seguiu governando “com serenidade, firmeza e compromisso público”, demonstrando que liderança se baseia em ciência, ética e interesse coletivo.
A Asfoc participou também de um momento de celebração com as mulheres do coletivo 8M, que organizaram uma entrega de flores e uma recepção em um corredor somente de mulheres no meio do auditório de Bio-Manguinhos.
A fala dialogou com a homenagem prestada por Paulo Gadelha, ex-presidente da Fiocruz e padrinho da solenidade, que destacou o título da revista Dialogue: “Soberana”. Segundo Gadelha, essa palavra sintetiza a contribuição de Nísia à soberania científica e sanitária do país, especialmente nas agendas de doenças negligenciadas e, mais recentemente, durante a pandemia de COVID-19.
Ao final, Garrido sintetizou o sentimento da Asfoc-SN:
“Esta homenagem celebra uma pessoa, mas também um projeto de país: a reconstrução do SUS, a valorização da ciência, o diálogo social e o serviço público como pilar da democracia. Seguiremos lutando e defendendo o que foi retomado com tanto esforço.”
A Fiocruz, a Asfoc-SN, o SUS e o Brasil seguem mais fortes porque trajetórias como a de Nísia Trindade Lima mostram que ciência, compromisso público e democracia caminham juntas!