No próximo 5 de agosto, data em que se celebra o Dia Nacional da Saúde e o nascimento de Oswaldo Cruz, a Fiocruz promoverá uma cerimônia de grande significado para a história da ciência brasileira. O evento prestará homenagem aos pesquisadores que tiveram seus direitos políticos cassados durante a ditadura militar, no episódio que ficou conhecido como Massacre de Manguinhos, um dos mais marcantes ataques à ciência e à liberdade acadêmica no país.
A solenidade será realizada às 14h, nas escadarias do Castelo Mourisco, espaço simbólico da Fundação que, há 40 anos, também foi palco da reintegração desses cientistas à instituição.
Durante a cerimônia, será concedido, postumamente, o título de Pesquisador Emérito aos pesquisadores atingidos pela perseguição política de 1970, em reconhecimento às suas relevantes contribuições para a ciência, para a Fiocruz e para a saúde pública brasileira.
Um marco da resistência da ciência brasileira
O chamado Massacre de Manguinhos representou um dos períodos mais difíceis da história da Fiocruz. Em plena ditadura militar, pesquisadores tiveram seus direitos políticos cassados, foram afastados de suas atividades e impedidos de exercer plenamente suas funções, comprometendo importantes projetos científicos e simbolizando a tentativa de silenciar a produção de conhecimento no país.
Décadas depois, a homenagem reafirma a importância de preservar essa memória e de reconhecer aqueles que, mesmo diante da perseguição, deixaram um legado fundamental para a ciência brasileira.
Programação resgata a história e valoriza a memória
Além da outorga póstuma do título de Pesquisador Emérito, a programação contará com atividades voltadas à reflexão sobre esse importante capítulo da história da Fiocruz e do Brasil.
Entre os destaques estão:
- apresentações sobre o contexto histórico da cassação e da posterior reintegração dos pesquisadores;
- leitura de uma carta em homenagem aos cientistas;
- lançamento da reimpressão do livro O Massacre de Manguinhos, de Herman Lent;
- homenagens a pessoas que contribuíram para preservar a memória desse período.
A iniciativa reforça o compromisso da Fiocruz com a valorização da ciência, da democracia e dos profissionais que dedicaram suas vidas à produção do conhecimento em benefício da sociedade.
Asfoc-SN participará da homenagem
A Asfoc-SN acompanhará a cerimônia, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa da memória institucional, da ciência pública, da democracia e dos trabalhadores e trabalhadoras da Fiocruz.
Para o Sindicato, preservar a história do Massacre de Manguinhos é também fortalecer o compromisso com a liberdade de pensamento, a valorização da pesquisa científica e a defesa das instituições públicas que produzem conhecimento e promovem a saúde da população.
Mais do que recordar um episódio do passado, a homenagem representa um convite à reflexão sobre a importância da democracia como condição indispensável para o desenvolvimento da ciência e para a garantia dos direitos fundamentais.
Serviço
Homenagem aos cientistas cassados no Massacre de Manguinhos
Data: 5 de agosto
Horário: 14h
Local: Escadarias do Castelo Mourisco – Campus Manguinhos
A Asfoc-SN convida os trabalhadores e trabalhadoras da Fiocruz a participarem desse importante momento de reconhecimento, memória e valorização da ciência brasileira. Afinal, lembrar o Massacre de Manguinhos é reafirmar que ciência, liberdade e democracia caminham juntas.