O presidente da Asfoc-SN, Paulo Garrido, destacou a importância do engajamento sindical em pautas socioambientais e reforçou o compromisso da entidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Ele afirmou que o papel do sindicato vai além da luta por direitos trabalhistas e envolve a defesa do meio ambiente, da soberania nacional e da democracia.
Garrido criticou o modelo predatório do capitalismo e do agronegócio, que ignora os alertas dos povos originários e ameaça a sustentabilidade do planeta. Relembrou a atuação da Asfoc em Mariana, Brumadinho e nos fóruns do G20 e preparatório ao COP30, e denunciou o impacto do “tarifaço” imposto pelos EUA ao Brasil, alertando para suas consequências sobre a economia, a democracia e as políticas ambientais.
O presidente também chamou atenção para retrocessos como o PL 2159/2021 (PL da Devastação), que flexibiliza as leis ambientais no país, em discussão no Congresso, ressaltando a necessidade de resistência articulada. Ele defendeu uma ciência ética, inclusiva e comprometida com a justiça climática, os direitos humanos e a diversidade, especialmente de mulheres, negras(os), LGBTQIAPN+ e comunidades periféricas.
Ao final, Paulinho reforçou a importância da votação do Plebiscito Popular e da mobilização contra a Reforma Administrativa.
Ele celebrou a inauguração do novo espaço da Asfoc na Fiocruz Ceará, realizada na última segunda (14), como símbolo de aproximação e escuta com a base. Garrido encerrou conclamando à construção de uma ciência que dialogue com o povo e seja motor de uma transformação sustentável e democrática.
Assista a fala de Paulo Garrido:
Leia a íntegra:
“Em nome do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Oswaldo Cruz, cumprimento todas e todos os integrantes dessa mesa e os aqui presentes.
É com muita alegria que participo desta mesa de abertura para contribuir de forma breve com as interações do sindicato nas pautas de meio ambiente, sustentabilidade e saúde, alinhadas aos princípios da Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)que orientam a construção de um futuro mais justo e sustentável para todos.
Somos um sindicato comprometido com a defesa dos direitos trabalhistas, das negociações salariais e das condições dignas de trabalho, reconhecendo que, no contexto atual, nosso papel se amplia para enfrentar desafios sociais e ambientais mais amplos.
Observamos o capitalismo e o agronegócio destruindo o meio ambiente, ignorando os alertas dos povos originários sobre a urgência de ações concretas para modificar nossa relação com a natureza.
Estivemos lado a lado dos companheiros do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) em Mariana e Brumadinho. No ano passado, participamos do G20, e este ano colaboramos para que a COP30 não seja apenas um encontro de líderes sem compromissos reais pela sobrevivência do planeta. Além disso, enfrentamos a ameaça do chamado “tarifaço” imposto pelo governo Trump ao Brasil, que não é apenas uma questão comercial, mas uma ofensiva que impacta diretamente nossa soberania econômica, enfraquece a democracia e pressiona ainda mais nossas políticas ambientais.
Essa escalada protecionista e agressiva compromete a capacidade do Brasil de implementar medidas efetivas de proteção ambiental e social, ampliando as desigualdades e colocando em risco os avanços conquistados.
É fundamental denunciar e resistir a essas ameaças externas que se somam aos desafios internos, para preservarmos a democracia, o meio ambiente e os direitos da população, em consonância com os compromissos assumidos na Agenda 2030.
Atuamos internacionalmente pela defesa ambiental por meio do Comitê de Meio Ambiente da Internacional dos Serviços Públicos, e no Brasil participamos das Comissões de Saúde Indígena do Conselho Nacional de Saúde, reafirmando nosso compromisso com os direitos dos povos originários.
Precisamos construir espaços mais horizontais e acolhedores, que escutem com atenção as demandas das mulheres, pessoas negras, LGBTQIAPN+ e das comunidades periféricas.
Só incorporando causas que nos mobilizam, como o acesso à moradia, o direito à cidade, a justiça climática, a equidade de gênero e o antirracismo, poderemos promover mudanças reais e duradouras na sociedade, sempre guiados pelos Objetivos da Agenda 2030.
Disso, não se pode subestimar os riscos que o próximo ciclo eleitoral representa.
A extrema direita está organizada, bem financiada, com apoio empresarial e disposta a desmontar e impedir os avanços sociais. Sem movimentos sociais e sindicais fortalecidos, que mobilizem a classe trabalhadora, os partidos progressistas terão suas bases eleitorais desarticuladas e vulneráveis.
No Congresso Nacional, hoje, nesse momento, enfrentamos retrocessos como o ameaçador Projeto de Lei 2159/2021, o chamado PL da Devastação. Resistiremos firmes contra essas ameaças.
Destaco também documento elaborado no G20 com recomendações para soberania, transição energética justa e valorização das vozes que se relacionam sustentavelmente com o meio ambiente.
Destaco ainda a inauguração da urna da Asfoc no Ceará, inauguramos uma sala aqui, cumprimentar a nossa diretora Luciana Lindenmeyer e a Fernanda, da coordenação regional da Asfoc. E convido a todos para participarem do plebiscito popular, com perguntas alinhadas às demandas sociais. Participem e depositem seu voto.
Ontem (14) tivemos um excelente diálogo com trabalhadores e trabalhadoras e inauguramos nosso primeiro espaço na Asfoc Ceará. E seguiremos em outras unidades dialogando e aprofundando discussões para o nosso Congresso Interno.
Concluindo, desejo sinceramente, e contribuirei para isso dentro de minhas possibilidades, que este seminário possa refletir a contribuição da Fiocruz em temas urgentes como o enfrentamento ao racismo e capacitismo ambiental; que avancemos na equidade e diversidade nas equipes de pesquisa; e que as pautas mais urgentes sejam apresentadas no diálogo com movimentos sociais, sempre tendo como referência os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 para orientar nossas ações em prol de um futuro realmente mais saudável.
Por isso, ao futuro sustentável só chegaremos se a ciência desconstruir a elitização e for, como diria o poeta, realmente onde o povo está.
Precisamos, e já passou da hora, pensar e fazer ciência juntos, essa ciência pautada por uma visão ampliada, realmente inclusiva, é realmente a ciência pautada pela ética. A pesquisa que construirá a nossa soberania real, sustentável, é ética porque é inclusiva.
Ética no propósito, no trabalho, ética na pesquisa. Vamos juntos, então, construir e praticar essa ciência com inclusão, para inclusão, pela inclusão. Porque não pode haver pesquisa sem sustentabilidade. E não haverá sustentabilidade sem pesquisa.
Bom seminário a todos!”