Durante as agendas realizadas nesta semana em fóruns, frentes e reuniões no Congresso Nacional, a Asfoc-SN reforçou o seu papel histórico na defesa da gestão democrática da Fiocruz, da ética em pesquisa e da valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde e da ciência.
O presidente Paulo Garrido destacou que a gestão participativa é uma marca de resistência construída ao longo dos 125 anos de Fiocruz, uma instituição que faz da ciência um instrumento de transformação social. “A gestão democrática é a base que sustenta a credibilidade da Fiocruz e o compromisso dos seus trabalhadores com o SUS, a vida e a justiça social”, afirmou.
Nas discussões sobre ética em pesquisa, especialmente após a 371ª Reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a Asfoc-SN reiterou que a ética e a dignidade das pessoas envolvidas nas pesquisas são princípios inegociáveis. A entidade alertou para o risco de tramitações legislativas apressadas que possam fragilizar as proteções conquistadas com a atuação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conepe) e dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs).
“Não podemos permitir que a ética em pesquisa se torne apenas um discurso. Ela precisa continuar sendo um compromisso vivo, com controle social e com a participação efetiva dos trabalhadores e da sociedade civil”, reforçou Paulinho, em defesa de uma ciência que respeite as pessoas e promova a dignidade humana.
Para a Asfoc-SN, a luta sindical ultrapassa a defesa dos direitos do mundo do trabalho: é também uma luta contra a exploração, a desumanização e a mercantilização da vida. Em cada espaço de diálogo, o sindicato reafirma sua convicção de que não há avanço científico sustentável sem educação, trabalho digno e participação social.
Veja as falas:
“A ética e a dignidade dos trabalhadores e participantes das pesquisas são inegociáveis!
Não podemos permitir que a ética em pesquisa seja apenas um discurso. A recente 371ª reunião do Conselho Nacional de Saúde destacou o papel vital da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEPE) e dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs). Não podemos aceitar que essas discussões sejam atropeladas pela tramitação apressada de leis que afetam nossas vidas e direitos.
A luta sindical sempre foi e continuará sendo uma força contra a exploração, a injustiça, a ignorância e a desumanização. Precisamos de um controle social efetivo, que garanta que as vozes dos trabalhadores sejam ouvidas em todas as decisões. Vamos juntos garantir a integridade e a ética na pesquisa como princípio e como direito humano”.
A Luta Sindical e a Gestão Participativa do Nosso Futuro
“A gestão democrática e participativa da Fiocruz é mais do que uma inovação tornada tradição. É resistência em 125 anos de ciência que luta pela vida com dignidade e justiça social. Somos aquelas e aqueles que sabem que nenhum avanço científico é sustentável sem educação e trabalho para todas e todos.
Não por acaso, temos sido pilar essencial contra as forças que, entre 2015 a 2023, desmantelaram conquistas democráticas, privatizaram serviços essenciais e tiraram centenas de milhares de vidas. Durante a pandemia, a resistência dos trabalhadores da saúde e do serviço público, com a forte liderança da ASFOC, foi exemplo claro de união e determinação. Somos aquelas e aqueles que estiveram sempre na linha de frente, lutando pela vida e pelos direitos de todos.
Não por acaso, este marco histórico se tornou resposta às ameaças à democracia brasileira e hoje ecoa para o mundo. Somos aquelas e aqueles que sabem que nenhum avanço científico é sustentável sem educação e trabalho para todas e todos.
Não por acaso, a luta sindical tem ido além do papel estrito de defesa dos direitos do mundo do trabalho. A resistência coletiva deve atender à complexidade de múltiplas e intrincadas frentes, evidenciando a importância da solidariedade entre os trabalhadores e de sua organização em prol de um controle social efetivo.
Não por acaso, o nosso sindicato, que em todas essas batalhas tem sido polo de resistência, tornou-se uma trincheira crucial não apenas na Fiocruz e no Brasil, mas dos movimentos sociais e do serviço público contra a exploração e a desumanização em escala global. A luta é contra a ganância e a ignorância que destroem o planeta.
Não por acaso, a recente 371ª reunião do Conselho Nacional de Saúde ressaltou a importância da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEPE) e dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs), destacando que a ética em pesquisa não pode ser um discurso vazio, distante e elitizado. É fundamental garantir que a integridade e a ética na pesquisa sejam princípios e direitos humanos. Qualquer coisa diferente disso é retrocesso, cuja consequência direta é o perigoso apagamento da fronteira do risco entre a vida e a morte, agora.
Não por acaso, o respeito às regulações que protegem as pessoas que participam de pesquisas e a garantia de controle social são o caminho incontornável, porque justo, para um compromisso real com a humanidade. Qualquer coisa diferente disso traz resultados pouco ou nada previsíveis, que podem ser irreversíveis por gerações.
Não por acaso, como na gestão democrática da Fiocruz, este é mais um momento em que as vozes do trabalho e da ciência precisam ser ouvidas nas decisões que impactam suas vidas, porque estas impactam a vida de todas e todos. Nenhuma promessa de progresso para as vidas no futuro vale sacríficios irresponsáveis hoje.
Não por acaso, a natureza não dá saltos.
A ciência já aprendeu isso. O capital, não.“