Na manhã desta segunda-feira (25), a Asfoc-SN participou do primeiro seminário de nivelamento para o X Congresso Interno da Fiocruz, realizado no auditório de Bio-Manguinhos. O sindicato integra a comissão organizadora do Congresso e reafirmou sua atuação em defesa da valorização dos trabalhadores e trabalhadoras, da democracia interna e da construção coletiva dos rumos da instituição.
Durante a abertura, o presidente da Asfoc-SN, Paulo Garrido, ressaltou a relevância da participação ampla da comunidade Fiocruz e o papel do sindicato nesse processo:
“É uma alegria enorme estar aqui neste primeiro seminário preparatório para o Congresso Institucional, um espaço fundamental para construirmos juntos o futuro da nossa Fiocruz e a valorização de cada trabalhador e trabalhadora. É uma honra representar o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz neste momento tão relevante para a nossa instituição. Quando a parceria entre gestão, sindicato e trabalhadores funciona, a Fiocruz se fortalece, e quem ganha é toda a nossa base, com melhores condições de trabalho, valorização e reconhecimento. (…) A força da Fiocruz está na nossa união, na nossa capacidade de trabalhar mediada pelo diálogo.”
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, fez questão de dialogar diretamente com a fala de Garrido e reforçou a importância da construção democrática do Congresso Interno:
“Como o Paulinho destacou, o Congresso é um momento de reflexão participativa de todos e todas, para pensar a agenda institucional e como lidamos com a nossa força de trabalho. É preciso criar mecanismos de participação social, e vejo meios concretos de viabilizar isso.”
Na condição de comentadora indicada pela diretoria da Asfoc-SN, a diretora Luciana Lindenmeyer também fez uma intervenção, centrada no tema de pessoas e carreiras. Ela destacou a trajetória do plano próprio de cargos e salários da instituição, os desafios trazidos pela reforma administrativa e a necessidade de valorização das carreiras como pauta urgente e estratégica:
“A Asfoc tem muita alegria em estar mais uma vez nesse espaço construído e mantido democraticamente ao longo de décadas. Nossa defesa mais intransigente é a do RJU, como forma de valorizar um serviço público de qualidade. A valorização de todas as carreiras da Fiocruz é uma pauta permanente e urgente, pois nossa atuação se consolida cada vez mais como referência nacional e internacional para o avanço da ciência, para a efetivação da soberania e para a consolidação de uma saúde plena para os brasileiros e brasileiras.”
Com a realização deste primeiro seminário, abre-se um ciclo de debates fundamentais que marcarão o X Congresso Interno da Fiocruz, espaço estratégico para o futuro da instituição e para a luta em defesa da ciência, da saúde pública e da valorização de seus trabalhadores e trabalhadoras.
Veja a íntegra da fala de Paulo Garrido e Luciana Lindenmeyer.
PAULO:
Bom dia a todas e todos!
É uma alegria enorme estar aqui na abertura deste primeiro seminário preparatório para o Congresso Institucional, um espaço fundamental para construirmos juntos o futuro da nossa Fiocruz e a valorização de cada trabalhador e trabalhadora.
É uma honra representar o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz neste momento tão relevante para a nossa instituição. Quero destacar que o sindicato não só tem voz e voto neste Congresso Interno, como também acredita que a ampla participação de toda a comunidade Fiocruz é essencial para o sucesso deste processo.
Sabemos que esse é um desafio tremendo, mas é justamente com essa união de forças — entre gestão,e sindicato e trabalhadores — que conseguimos transformar desafios em conquistas.
Quando essa parceria funciona, a Fiocruz se fortalece — e quem ganha é toda a nossa base, com melhores condições de trabalho, valorização e reconhecimento.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa da justiça, da solidariedade internacional e dos direitos humanos, incluindo a luta pela liberdade e dignidade do povo palestino — uma causa que traduz nossos valores humanitários e éticos no cenário global. É fundamental que a Fiocruz, como instituição pública de ciência e saúde, esteja alinhada com esses valores em suas decisões e ações.
Neste Congresso, queremos reafirmar esse compromisso: um sindicato atuante, corajoso e parceiro, junto, firme e presente, caminhando lado a lado. Mais do que isso, é fundamental que cada trabalhador e trabalhadora participe ativamente, seja no modo presencial ou virtual. Em breve, A Asfoc divulgará uma agenda sindical que orientará nossas propostas e ações para este Congresso, sempre com o compromisso de fortalecer a instituição e garantir condições dignas para seus trabalhadores.
Claro, porque a construção coletiva só será legítima e forte se envolver todos os cantos da nossa instituição.
Afinal, se é a Fiocruz uma instituição pública e estratégica para o país, e seu futuro deve refletir os interesses e as necessidades de todos que dela dependem. Sim, precisamos ampliar a participação do controle social, da sociedade civil, dos pacientes e usuários dos serviços que a Fiocruz apoia e desenvolve. Fortalecer a equidade na diversidade só é possível valorizando na prática quem trabalha noite e dia para que isso seja realidade.
Não há como pensar um SUS universal sem garantir os direitos humanos, o acesso ás pessoas com deficiencias, das populações indígenas e tradicionais, de todos e todas marginalizados, desde a pesquisa clínica até a assistência.
A força da Fiocruz está na nossa união, na nossa capacidade de trabalhar mediada pelo diálogo.
A Asfoc-SN não medirá esforços para que a Fiocruz continue sendo referência em ciência, tecnologia e saúde pública no Brasil e no mundo, mas é aqui, na nossa casa, que o caminho justo, democrático e sustentável começa, pelo reconhecimento de quem luta e de quem faz. Enquanto essa for a premissa, a gestão da Fiocruz sempre terá a Asfoc a seu lado. Contem conosco para dialogar, somar forças e construir, juntos.
Contamos com cada um e cada uma para fazer deste momento um marco de participação e de diálogo verdadeiro. Somente assim haverá em cada conquista a verdade do respeito e a alegria de caminharmos juntos..
Porque a Fiocruz é feita de gente, de ciência e de compromisso — e é com essa união que vamos transformar desafios em conquistas.
Muito obrigado!
LUCIANA
Primeiro agradeço a confiança da diretoria da Asfoc em ocupar esse espaço. Quero começar falando que a Asfoc tem muita alegria em estar em mais uma vez nesse espaço construído e mantido democraticamente ao longo de décadas. é ele que permite que possamos dialogar, aprofundar e coletivamente desenhar as macro estratégias de nossa instituição.
Hoje a mim coube trazer provocações sobre o tema de pessoas e carreiras, tema que sempre esteve presente em pautas do Congresso Interno.
Preciso fazer uma recuperação inicial sobre a trajetória de nosso plano próprio. Tínhamos antes de 2006 muitos planos, médicos no pcc, chamado carreirão, a escolha por aceitar o plano de carreira próprio foi coletiva e para equalizar graves problemas e colocar o percentual de 15 por cento oferecido a carreira de c&t e mais os 28% do Bresser pago somente a um grupo de servidores mais antigos. Sendo assim o plano próprio foi uma conquista esperada pelo conjunto de trabalhadores/as.
Não posso deixar de destacar a relação de tudo que falamos com as propostas diversas em curso de desmonte do estado.
Falar da reforma administrativa em curso e que os impactos no RJU e na estabilidade de servidores são grandes e tem ocorrido de muitas formas e por muitos atores no cenário dos sucessivos governos.
Falar que dentre as pautas que defendemos temos a valorização do VB com incorporação total da GDACTSP, a interpenetração entre as tabelas de NS e NI, diversas questões que queremos hoje avançar fazem parte de pauta do conjunto dos trabalhadores, protocolada junto aos diversos órgãos do executivo federal.
Autonomia para repor cargos vagos. De todas essas questões a defesa mais intransigente é a do RJU, como forma de valorizar um serviço público de qualidade.
Falar que a valorização de todas as carreiras da Fiocruz é uma pauta permanente e urgente, pois nossa atuação se consolida cada vez mais como referência nacional e internacional para avanço da ciência, efetivação da soberania e consolidação de uma saúde plena para os brasileiros.
Falar sobre pontos da apresentação do Juliano:
- destacar que aprimoramento das carreiras está presente num GT com o MGI
- reforçar que nossa força em todos os momentos da história dos congressos internos se deu com a busca dos melhores caminhos – ficando na carreira de c&t, optando pela carreira própria, e agora novamente precisamos entender o que está na mesa
- caminhos jurídico administrativos que nos dividam?
- caminhos que tornem somente uma parte das carreiras como típicas de estado?
- abrir mão do RJU como principal forma de ingresso para apostar na clt? contratos temporários como no ibge?
- de que reposicionamento estamos falando? vamos todos nos reposicionar salarialmente considerando que todas as carreiras contribuem de formas diferentes mas de maneira inequívoca para tudo que a Fiocruz faz e amplia em sua atuação nacional e internacional?
- podemos alcançar esse reposicionamento com valorização salarial de forma mais imediata com vontade política do governo? Como viabilizar isso? Uma grande coalizão de parlamentares que entendem a importância da Fiocruz? Foi apresentado algo nesse sentido pela ministra Esther Dweck?
Hoje aqui fizemos algumas dessas provocações e perguntas pois estamos iniciando o processo congressual, seguiremos aprofundando tudo isso como Paulinho colocou em diálogos diversos com o conjunto de trabalhadoras e trabalhadores.