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Asfoc participa de evento com ministra das Mulheres e reforça convocação para paralisação nesta terça

A Asfoc-SN participou, nesta segunda-feira (02/03), do evento “Fiocruz mobilizada pelo Feminicídio Zero: por mulheres vivas, saudáveis e respeitadas”. A atividade, que abre as celebrações do mês da mulher, contou com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e debateu o enfrentamento às profundas desigualdades de gênero e raça no país.

A diretora da Asfoc, Luciana Lindenmeyer, compôs a mesa oficial e realizou a leitura da Carta Manifesto do Coletivo de Mulheres na Fiocruz – 8M 2026. O manifesto clama por transformações nas estruturas institucionais para reduzir as iniquidades e combater o assédio, o racismo e a misoginia. “Defendemos um posicionamento firme contra todas as formas de violência de gênero (…) garantindo condições reais para fortalecer e dar visibilidade às mulheres na ciência e na saúde”, destaca um trecho do documento.

Mas a luta por dignidade é integral! Durante o evento, a diretoria reforçou a necessidade do cumprimento imediato do acordo e a implementação urgente do RRA. Houve também a entrega de panfletos mobilizando a comunidade para a paralisação de 24 horas que vai acontecer nesta terça (03), com ato em frente ao Castelo às 11h.

Seguimos atuantes, na luta sempre!

Veja a íntegra da carta manifesto:

Mulheres na Fiocruz 8M 2026: em defesa da vida das meninas e mulheres, da ciência, da democracia e do SUS público. Contra a misoginia, o feminicídio e a violência à população negra, pobre e de periferia.

No Dia Internacional de Luta das Mulheres de 2026, reafirmamos a necessidade de aprofundar o debate sobre os impactos da misoginia na vida das mulheres da comunidade Fiocruz, propondo soluções imediatas para suas condições de saúde, trabalho e existência. Conclamamos a construção, o monitoramento e a implementação de estratégias capazes de reduzir as iniquidades de gênero, raça, idade, classe e diversidade funcional, afirmando novos modos de produzir e existir em sociedade.

Esse debate deve estender-se a todas as brasileiras, em especial às trabalhadoras do SUS. Como instituição pública vinculada ao Ministério da Saúde, a Fiocruz deve pautar sua produção científica e social no enfrentamento das profundas desigualdades do país. Juntas, reafirmamos nosso compromisso com a vida e a dignidade humana, fortalecendo a luta de mulheres e de todos os grupos invisibilizados por sistemas de opressão patriarcais, capitalistas, racistas, transfóbicos e capacitistas. Tais estruturas moldam masculinidades violentas que adoecem a coletividade em todas as dimensões: no trabalho, na escola, no lazer, no amor e no bem viver.

Este 8 de março marca um momento significativo de celebração das conquistas alcançadas no Brasil e na Fiocruz. A ocupação de espaços de poder e a maior presença de mulheres negras, indígenas, trans e com deficiência nas instâncias institucionais refletem um novo ciclo político.

Embora esse cenário seja fruto de lutas históricas que nos orgulham, ainda enfrentamos a misoginia, o crescimento do feminicídio e da violência de gênero, tanto internamente quanto no Rio de Janeiro e no país. Vivemos o aprofundamento de crises sociais, ambientais e humanitárias, agravadas por conflitos internacionais que ameaçam a paz global. Diante disso, as mulheres da Fiocruz unem-se aos movimentos feministas na defesa de um país que assegure vida, dignidade, voz e poder a todas as mulheres e meninas, e a todos que lutam por um mundo feminista.

Nesse contexto, destacamos a luta das mulheres negras, quilombolas, indígenas, idosas, transidentitárias, ciganas e LGBTQIA+; das moradoras das regiões Norte e Nordeste do país, de favelas, periferias e centros urbanos; daquelas em situação de rua, com deficiência, privadas de liberdade, residentes do campo, das florestas e das águas. Unimo-nos, igualmente, às lutas em defesa dos direitos de povos e comunidades tradicionais, defendemos todas as condições necessárias para garantir sua reprodução cultural, social, econômica, religiosa e ancestral.

Na Fiocruz, temos nos mobilizado por avanços, apoiando e executando ações, estratégias e projetos que visem ao acesso e à contra-hegemonia de meninas e mulheres na ciência, na gestão, na formação e na produção de conhecimentos para o SUS. Seguimos indignadas com o machismo, o racismo, o capacitismo e o idadismo no ambiente institucional. Tais opressões impactam a vida de todos que trabalham e estudam na Fundação, manifestando-se em práticas, estruturas e normas que restringem oportunidades para manter privilégios de grupos historicamente favorecidos.

Não aceitamos atitudes que subordinem o direito e a democracia a visões conservadoras, que submetem indivíduos à hegemonia da branquitude e ao conhecimento euronortecentrado. Essa lógica reflete-se tanto na busca por soluções aos problemas de saúde da população brasileira quanto no próprio modo de produzir ciência na Fiocruz.

Lutamos por relações igualitárias na vida acadêmica. Embora sejamos a maioria na docência, na discência e na pesquisa científica brasileira, os cargos de alto poder decisório ainda são ocupados majoritariamente por homens brancos. A sobrecarga do trabalho doméstico, da maternidade e do cuidado familiar permanece delegada primordialmente às mulheres — um cenário que se agrava drasticamente ao intersectar recortes de raça e classe, afetando de forma ainda mais severa mulheres negras, indígenas e periféricas.

Vivenciamos, de forma recorrente, a subestimação de nossas capacidades e a interrupção de nossas falas. Tais relações desiguais no ambiente de trabalho resultam em adoecimento e prejudicam o processo de produção de conhecimento científico necessário ao fortalecimento do SUS.

Diante disso, esta carta manifesto 8M Fiocruz convoca a instituição a transformar suas estruturas e reduzir as desigualdades de gênero. Defendemos um posicionamento firme contra todas as formas de violência de gênero, incluindo o assédio e a misoginia, e que efetivamente crie condições para fortalecer e visibilizar as contribuições das mulheres na ciência, na saúde, na Fiocruz e no SUS, inclusive com valorização e financiamento adequado – com viabilidade e sustentação – às ações, áreas, programas e cargos em que são conduzidos majoritariamente por mulheres e/ou cujos temas são hegemonicamente conduzidos por mulheres e/ou que fomentam a participação na ciência de meninas, mulheres e pessoas vulnerabilizadas.

Nesse sentido, o Manifesto 8M Fiocruz convoca a instituição a transformar suas estruturas para reduzir as desigualdades de gênero. Defendemos um posicionamento firme contra todas as formas de violência, como o assédio e a misoginia, garantindo condições reais para fortalecer e dar visibilidade às mulheres na ciência e na saúde. Isso inclui a valorização e o financiamento sustentável de áreas, programas e projetos liderados majoritariamente por mulheres, bem como de iniciativas que fomentem a participação na CT&I de meninas e grupos vulnerabilizados.

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